A pancreatite felina é uma condição inflamatória do pâncreas que pode afetar gatos de qualquer idade. Embora seja uma doença frequentemente subdiagnosticada devido às suas manifestações clínicas inespecíficas, é essencial que tutores estejam atentos aos sinais e busquem atendimento veterinário imediato para garantir o bem-estar do animal.
Quais são os sinais clínicos ou sintomas da pancreatite felina?
Os sintomas da pancreatite felina podem variar de leves a graves e incluem:
- Falta de apetite (anorexia): costuma ser o sinal mais consistente, quando o gatinho se recusa completamente a se alimentar ou reduz de forma significativa a alimentação.
- Letargia e apatia: o gato passa a ficar muito tempo deitado ou escondido.
- Perda de peso progressiva: com a redução da alimentação a perda de peso se torna mais aparente.
- Dor abdominal: como excelentes ‘atores’ que são, a dor pode ser de difícil percepção pelo tutor, especialmente porque ele tente a camuflar e ficar escondido.
- Desidratação: pode se tornar severa na medida que reduz a ingestão de alimentos e água, especialmente se apresentar vômito e/ou diarreia (nem sempre presentes).
- Icterícia (coloração amarelada da pele e mucosas em casos graves).
- Dificuldade respiratória ou febre em situações mais severas.
O que causa pancreatite em gatos?
As causas da pancreatite felina nem sempre são claramente definidas, mas alguns fatores estão associados ao desenvolvimento da doença:
- Doenças concomitantes: Doenças inflamatórias intestinais, colangite (inflamação dos ductos biliares) e hepatopatias podem estar relacionadas. (Temos um artigo completo aqui no blog sobre a Tríade Felina clique para ler https://www.catslondrina.com.br/doencas/triade-felina-o-que-e-sintomas-diagnostico-e-tratamento/)
- Dietas ricas em gorduras: Embora menos comum em gatos do que em cães, uma alimentação inadequada pode desencadear pancreatite.
- Infecções e traumas: Algumas infecções bacterianas ou virais podem contribuir para a inflamação pancreática, como a toxoplasmose e especialmente a peritonite infecciosa felina (PIF) (Quer saber mais sobre a PIF, confira esse artigo: https://www.catslondrina.com.br/doencas/pif-em-gatos-e-contagioso-conheca-os-sintomas-diagnostico-e-tratamento/)
- Uso de medicamentos: Alguns fármacos, como corticoides e certos antibióticos, podem estar envolvidos no desenvolvimento da condição.
Como é feito o diagnóstico da pancreatite em felinos?
O diagnóstico da pancreatite felina envolve uma combinação de histórico clínico, exames laboratoriais e exames de imagem. Os exames mais utilizados incluem:
- Ultrassonografia abdominal: É um dos métodos mais eficazes para visualizar alterações no pâncreas.
- Testes laboratoriais: Hemograma, bioquímica sanguínea e avaliação de enzimas pancreáticas, como a lipase pancreática felina (fPLI), são fundamentais.
- Exames complementares: Em alguns casos, pode ser necessária a realização de radiografias e análises histopatológicas.
Qual é o tratamento da pancreatite em gatos?
O tratamento da pancreatite felina é baseado no suporte clínico e no controle dos sintomas, sendo que a abordagem pode variar conforme a gravidade do quadro. As principais medidas terapêuticas incluem:
- Fluidoterapia intravenosa para correção da desidratação, normalização de desequilíbrios eletrolíticos (especialmente potássio) e manutenção da pressão arterial.
- Controle da dor com analgésicos adequados e anti-inflamatórios não esteroidais.
- Suporte nutricional: A alimentação deve ser reintroduzida o mais cedo possível, com dietas altamente digestíveis e baixo teor de gorduras.
- Antieméticos para controlar náuseas e vômitos.
- Antibióticos apenas em casos de infecção secundária.
- Corticoides e imunossupressores podem ser utilizados em casos de pancreatite crônica ou autoimune.
A importância do suporte nutricional em gatos com pancreatite
Estudos recentes e a prática clínica tem demonstrado que o suporte nutricional precoce é crucial para a recuperação e prevenção de novas complicações em gatos com pancreatite.
Um dos maiores perigos da pancreatite é justamente a anorexia, que pode levar a lipidose hepática felina (LHF), metade dos gatos afetados com pancreatite tendem a apresentar as duas condições de forma concomitante, aumentando o tempo de recuperação em até 2 semanas.
É importante que o tutor tenha consciência do risco adicional provocado pela anorexia e compreenda a importância de medicações que estimulem o apetite (em casos de menor gravidade) ou a necessidade imediata de intervenção e suporte intensivo. No caso de gatos a preferência é pelo uso da sonda esofágica ou nasoesofágica, que permite uma alimentação direta (pastosa ou líquida) própria para as condições apresentadas pelo gatinho.
É necessário internar um gato com pancreatite?
Gatos com pancreatite moderada a grave frequentemente necessitam de internação para monitoração constante e tratamento intensivo. O suporte hospitalar é essencial em casos de:
- Anorexia severa (para evitar a lipidose hepática felina)
- Desidratação severa
- Dor intensa que não pode ser controlada em casa
- Vômito e inapetência prolongados
- Complicações sistêmicas, como insuficiência hepática ou renal
A recuperação pode ser lenta, exigindo acompanhamento regular e ajustes na alimentação e medicação a longo prazo.
É possível prevenir o a pancreatite felina?
De modo geral a prevenção está relacionada à uma boa condição de saúde e acompanhamento médico, isto é:
- Dieta balanceada com teor de gordura moderado
- Alimentação frequente em pequenas porções
- Disponibilidade de água fresca e limpa constante
- Manutenção do peso
- Exames e check-ups regulares
- Manutenção do protocolo vacinal em dia
- Evitar o acesso à rua
- Respeitar os cinco pilares do bem-estar felino (lugares seguros, múltiplos recursos distribuídos pela casa, oportunidade de comportamento predatório, interações humanas respeitosas e positivas, respeito ao olfato)
Muito importante:
A pancreatite felina é uma doença complexa que pode passar despercebida em estágios iniciais. O reconhecimento precoce dos sinais clínicos e o tratamento adequado são fundamentais para garantir a plena recuperação. Caso seu gato apresente algum sintoma sugestivo, procure imediatamente um veterinário para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento eficaz.
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